A energia solar fotovoltaica vem se consolidando como a principal força motriz da expansão do mercado livre de energia no Brasil. Segundo dados da FotoVolt, com base em levantamento da CELA – Clean Energy Latin America, dos 171 PPAs assinados entre 2015 e 2024 no Ambiente de Contratação Livre (ACL), 104 foram da fonte solar, totalizando 2,8 GW médios contratados. Convertido em capacidade instalada, esse volume representa cerca de 12 GW em usinas solares.
De acordo com a CEO da CELA, Camila Ramos, a tendência é de crescimento ainda mais acelerado com a abertura completa do mercado para a baixa tensão, prevista para 2027 (empresas) e 2028 (residências). “A fonte solar deve responder por mais de 90% da expansão do ACL nos próximos anos”, aponta.
Por outro lado, a reforma do setor elétrico em discussão traz preocupações importantes. A proposta de restringir o modelo de autoprodução por equiparação — hoje fundamental para viabilizar projetos solares — e o fim dos descontos nas tarifas de uso (TUST/TUSD) podem comprometer a atratividade econômica de novos empreendimentos. Para Camila, “com as novas exigências, o modelo perde competitividade ao exigir investimentos diretos do consumidor, que muitas vezes não tem esse perfil”.
A FotoVolt também destaca o impacto do curtailment, cortes na geração renovável impostos pelo ONS, que geraram perdas de R$ 1,1 bilhão entre 2024 e 2025. Já na chamada solar “junto à carga”, soluções como o grid zero (atrás do medidor) vêm ganhando espaço em clientes do ACL por oferecerem previsibilidade e maior autonomia.